quarta-feira, setembro 14, 2005

O meu Ideal de Sociedade

Sou um liberal quase anárquico. E para este quase desaparecer temos que atingir o Super Homem de Nietzsche, ou seja, nem daqui a mil anos. No entanto, quanto menor for o peso do Estado nas nossas vidas, mais livres seremos.

Para o Estado defendo as seguintes funções:

- O Estado deve assegurar a sobrevivência de todos os seus cidadãos, através da distribuição gratuita mas racionalizada de comida e água; Sem a existência da propriedade privada, estes bens seriam-nos oferecidos pela natureza e são um direito apenas pelo simples facto de termos nascido.
- O Estado deve assegurar a todos os seus cidadãos a liberdade de expressão e de circulação;
- O Estado deve prestar os seguintes serviços à sociedade: saúde, educação, segurança e justiça;
- O Estado deve regular a actividade económica de uma forma simples e quase minimalista através da fixação de um salário e horário de referência e de regulamentar ao nível das condições de trabalho e de protecção do ambiente;

Para o exercício destas funções o Estado necessita de receitas. Estas seriam obtidas através de um sistema fiscal simples e transparente, assente apenas nos impostos sobre os rendimentos das pessoas e das empresas (taxa única para os dois) e acabariam todos os impostos indirectos. Provavelmente a taxa de imposto teria que ser 50%, como se paga nos países escandinavos, mas todos os produtos ficariam incomparavelmente mais baratos.

Os valores superiores e intocáveis defendidos por este Estado seriam: a liberdade e a paz.

Com tanta liberdade, como posso eu ser de esquerda ou de direita? Cada uma restringe áreas específicas da sociedade.

P.S. - Para isto ser possível teriamos que sair da U.E. ou este Estado ser adoptado ao nível comunitário. Caros Johny e João da Ega, neste Estado não seria necessário trabalhar para sobreviver, mas se quisessem ter uma TV ou um carro teriam que o fazer. Este texto carece de tempo e de uma reflexão mais profunda... :)))

4 comentários:

Lou Andreas-Salomé disse...

O teu ideal, é sem dúvida, na minha opinião, o mais plausível e o que vai ao encontro das minhas expectativas de sociedade quasi perfeita. Mas o meu parecer foi dado num comentário ao post anterior.
Já agora, tem-se falado muito de Estados e sociedades. Aproveito para deixar um apelo: gostaria de ver discutido o homem enquanto ser biológico individual, os seus direitos e deveres e as suas influências no e pelo meio.Alguém se arrisca?

"Fernando Pessoa" disse...

Talvez uma alteração:

Afirmas que o Estado deve prestar os serviços de saúde e educação à sociedade.....eu alterava o texto para:

"O estado deve garantir a todos os cidadãos os serviços de saúde e de educação"...porque defendo a inicitiva privada ou a gestão privada nestes dois serviços....já temos vários exemplos de sucesso em Portugal.

mas no geral...concordo plenamente com o teu ideal de sociedade,
o meu ideal, o nosso ideal, o mundo melhor.

disse..:)

Rui Damas disse...

Caro Miguel,

Não posso concordar com o teu ideal de sociedade porque no fundo reduz o estado ao velho ideário liberal de estado guarda nocturno.
No entanto, não posso deixar de louvar a tua coragem de defenderes a saída da UE. Nesse aspecto concordo inequivocamente contigo, e acho extremante sóbria e coerente o teu raciocinio. Isto, é claro, apesar de uma linha invisivel entre liberalismo e socialismo nos separar completamente.

Abraço e obrigado pela tua utopia!

Miguel V. Carvalho disse...

Talvez reduza o Estado a isso mesmo, para quê querer mais Estado se isso representar perder liberdades? Se isso representar uma intromissão na vida de cada um por parte de uma pessoa abstracta e sem rosto, com tentáculos que te atrasam a vida e te limitam a forma de viveres mesmo quando não prejudicas ninguém?

Entendeste mal uma coisa: a nível europeu sou um federalista convicto, acredito numa União Europeia unida politicamente. Se a minha utopia passa por uma única nação a nível mundial, não tenho dúvidas que para a atingir serão necessários inúmeros passos, entre os quais a criação de vários grandes blocos económicos e políticos que depois se integrariam num só.