sexta-feira, abril 28, 2006

Liberdade Sempre

Ainda relativamente ao 25 de Abril, mais concretamente a um comentário que fiz a um post do Renato, que pelos vistos lhe deixou dúvidas, quero apenas dizer o seguinte:
- Se alguém tem dúvidas sobre se eu preferia ainda viver em ditadura é porque não leu os meus posts anteriores com atenção. Considero-me apenas o mais liberal de todos os cósmicos. Sou liberal em todos os aspectos transversais à sociedade. LIBERDADE SEMPRE.
- Tenho dúvidas que, se não fosse através de uma revolta militar, alguma vez o povo português se insurgisse contra semelhante regime. Digo até mais, se em 1974 houvesse eleições livre em que Marcelo Caetano pudesse concorrer, arrisco 9 em 10 como o déspota ganharia. João Jardim, Avelino Ferreira Torres, Narciso Miranda, Mário de Almeida, Mesquita Machado e tantos outros só saíram ou saem do poleiro quando quiserem porque o povo legitima, através do voto, o poder daqueles que vivem arragados a ele.
- O povo português é averso à mudança e ao risco. A culpa de sermos pobre é do povo português, da sua elite, dos seus políticos, dos seus mestres, de todos nós. A inquisição e o Estado Novo expulsaram do país a maior parte daqueles que tinham empreendorismo no sangue. Os que cá ficaram sempre viveram e sustentaram o seu negócio à sombra de proteccionismo estatal.

Este estado da nação não se altera em 25 anos, mas pode-se alterar em 50. Ao dizer isto estou a colocar toda a responsabilidade, de mudar para melhor o nosso país, na nossa geração. SOMOS NÓS, que temos que saber escolher melhor os nossos governantes; SOMOS NÓS, que temos que exigir formas de responsabilização política e descobrir novas formas de intervenção; SOMOS NÓS, cada um de nós, que tem que se sustentar (chega de anos consecutivos de andar uns a manter a boa vida dos outros). À sociedade cabe proteger as crianças, os idosos e os incapacitados. Àqueles que falte vontade de trabalhar, a sociedade nada tem a dar.
Já estive mais convicto da capacidade da nossa geração mudar este estado de coisas. Mas, como bom sportinguista, a esperança é sempre a última a morrer.

Um desvio ao assunto principal. O discurso de Cavaco Silva não me agradou. Demasiado esquerdista e utópico. Pactos de regime no que diz respeito a políticas de igualdade social?
Por favor Sr. Presidente, mas onde é que andou nestes últimos 25 anos? Tratou-se de um discurso inútil, sem consequências absolutamente nenhumas, que daqui a uma semana estará completamente esquecido por todos.
Do meu ponto de vista, caberia ao presidente relembrar aos outros poderes consagrados na legislação (especialmente o poder legislativo, isto é, a assembleia da república constituída por deputados e ao poder judicial na pessoa dos magistrados) a importância que têm na sociedade e formular propostas que visassem a melhoria da sua credibilidade. A consagração dos quatro poderes foi uma vitória do 25 de Abril. É imperioso que todos funcionem em pleno, para bem da democracia. Ora, o que nós vemos no parlamento e na justiça é uma verdadeira vergonha.
ACTUALMENTE, SINTO VERGONHA DA NOSSA DEMOCRACIA, DA NOSSA REPÚBLICA. SINTO VERGONHA DE SER PORTUGUÊS.

P.S. - Desculpem a minha ausência prolongada. Esta ficou-se a dever a motivos profissionais mas também a uma fase de menor motivação para escrever.

1 comentário:

Nuno Silva Leal disse...

Ainda ontem escrevi no meu Linha de Rumo que cada vez menos me apetece ser português e cada vez mais me apetece ser europeu - ou, ò traícção suprema, espanhol!