segunda-feira, maio 15, 2006

13 de Maio - Caminhada Espiritual!


Quem lá vai a pé…volta diferente!!!
Várias vezes ouvi isto antes de partir…e na verdade, sempre me recusei a aceitar essa afirmação como totalmente verdadeira, pensando sempre que era mais uma maneira de me convencer ou então uma ideia feita por quem já tinha ido simplesmente para vincar e justificar ainda mais a viagem realizada. Agora admito, aiiii o quanto eu estava errado!!!
Sim, é verdade, fui a Fátima … a pé!!!
Trago muita coisa comigo, mas principalmente uma experiência de vida inesquecível, mil historias para contar e uma visão diferente daquela que tinha sobre as pessoas, os limites humanos, a força de vontade e a força psicológica do ser humano quando está concentrado num objectivo.
Antes de mais, tenho de vos esclarecer que não fui a Fátima a pé, por ter feito qualquer tipo de promessa religiosa ou outra, como acontece com a maioria das pessoas que faz esta viagem. Fui, por varias razões, mas principalmente porque queria ter mais esta experiência de vida, porque queria provar mais esta “aventura” espiritual, porque queria sentir e viver, nem que fosse uma vez na vida, o que era afinal ir a Fátima a pé!!!
Embora tenha a tal fé e acredite em algo superior ao ser humano, nunca me passou pela cabeça fazer uma “troca” daquelas: fazes-me isto e eu vou a Fátima a pé. Do género “toma lá e dá cá”. Não, sempre me recusei e recusarei a fazer uma coisa desse género. Ao contrario, fui com os meus pensamentos, com as minhas convicções e com o meu “interior” cheio… embora respeite e não condene quem vá com a tal promessa, pois cada um sabe de si.
Assim, mal surgiu a oportunidade de fazer esta viagem com um grupo de 44 pessoas do Porto, muitas delas já experimentadas neste género de “caminhada espiritual”, não tive duvidas e aceitei o desafio logo na primeira abordagem.
Éramos 44 pessoas, dos 25 aos 75 anos, todos com experiências de vida, com histórias e com motivações diferentes e das mais variadas possíveis. E, ao contrario do que se imagina, são muitos, mesmo muitos os jovens que fazem esta caminhada, afastando assim aquela ideia errada que isto é coisa de velhinhas muito religiosas do Portugal de outros tempos…enganam-se meus amigos…e nem imaginam quanto!!!
O grupo com quem tive o prazer de caminhar, tinha 2 “guias”, o Fernando e o Artur, a quem “tiro o meu chapéu” por toda a organização e empenho. Tanto um como outro, são homens dos seus 40 e poucos anos, habituados desde há muito a estas andanças, homens que durante o ano, fazem 1 trabalho incrível com os sem abrigo do Porto e que por estas alturas do 13 de Maio organizam, como eles gostam de chamar: “a caminhada à Mãe”. Depois, e não podia deixar de referir, tínhamos a Antonieta, senhora do seu nariz, também ela na casa dos 40 que fez um trabalho absolutamente extraordinário com a carrinha de apoio aos peregrinos do nosso grupo. Alias, se não fosse ela, não sei se teria conseguido chegar até ao fim...o resto do grupo era maioritariamente jovem entre os 27 e os 40 anos, sendo que os restantes membros ultrapassavam essa idade mas apenas no B.I.. Por falar nisso, aproveito para dar os parabéns a D. Rosa e ao Sr. Ferraz, que do alto dos seus 60 e muitos anos, caminharam com mais força e vigor que muitos dos “xavalos” que lá iam. Principalmente a D. Rosa, avó, moradora e filha da Ribeira do Porto, como ela gostava sempre de vincar, era uma coisa impressionante, pois desde que saímos do Porto, tomou sempre a dianteira, sem nunca sequer sofrer de uma única bolha nos pés (coisa banal neste tipo de caminhada), sem nunca precisar de uma única massagem nos músculos das pernas ou outros (a Antonieta era perita neste tipo de massagem relaxadora), e mais inacreditável ainda é que a D. Rosa chegava a ter mais de 1h30m de avanço nos pontos de chegada em relação ao resto do grupo!!!
Eram cerca das 00h30m do dia 6 de Maio de 2006, quando partimos da Igreja de Nossa Senhora de Fátima na Boavista (Porto), começando assim a nossa “aventura espiritual”. Logo na 1ª etapa foram 37km durinhos, com paragem para pequeno-almoço e descarga de resíduos lá alcançamos a meta por volta das 10h30 com as minhas 3 primeiras bolhas nos pés! Coisa normal para 1 caloiro que não sabia os truques da escolha adequada de calçado, cremes para os pés e etc…sim porque fica já aqui o aviso, não é por ter umas sapatilhas "XPTO" que se vai mais confortável, bem pelo contrario, sandaliazinha ou sapatilha da mais velha e usada que há lá em casa, é do melhor!!! E quando se vê na estrada pessoas com mais de 60 anos a caminhar com chinelinho de quarto como se nada fosse, acho que está tudo dito.
Apesar de puxada, a 1ª etapa estava concluída e depois de furar as bolinhas, de 1 bom banho relaxante e de 1 sono tranquilizante, estava pronto para outra… as partidas eram sempre por volta das 03h00 e as chegadas por volta das 13h00, pois assim só caminhávamos de madrugada e de manha, com o sol não era tão incomodativo e o transito era menos intenso. Durante a madrugada escura, caminhávamos sempre juntos, com os nossos coletes luminosos e acompanhados pelas estrelas e pela lua, cantando, conversando, trocando amizades e apoios amigos. A partir da paragem do pequeno-almoço, depois do sol raiar, cada um era livre para caminhar ao seu ritmo, sempre com o apoio da carrinha da Antonieta, e com a paragem nos locais previamente estipulados.
Albergaria-Mealhada, sem duvida a minha 1ª etapa de confronto e de teste físico e principalmente psicológico. Numa etapa com 40km, muitas coisas nos passam pela cabeça…e tenho de admitir que me foi deveras difícil chegar a “meta”! Mas ir a Fátima a pé, não é só caminhar e chegar ao fim, é mais que tudo encontro connosco mesmos, apoio e amizade de ser humano com ser humano…e com 1 massagem “milagrosa” de voltaren em gel, feita pela Antonieta, lá consegui atingir mais 1 meta, onde nos esperava um reconfortante e merecido leitãozinho e umas belas de umas garrafinhas daquela espumante tinto que só sabe daquela maneira na Bairrada.
Pela estrada fora, são muitos os postos da cruz vermelha e do exercito da cruz de malta que fazem apoio médico aos peregrinos, mas felizmente tínhamos a Antonieta e não precisamos de lá entrar, a não ser a 1 caso mais grave de uma senhora do grupo com 1 veia mais teimosa, mas que ficou prontamente resolvido.
Águeda, a minha 1º dose de droga (Voltaren) para aguentar as dores provocadas pelo inchaço nos pés, muito devido a escolha errada do calçado! Mudanças de sapatilha para umas belas de umas sandálias daquelas típicas de viajante, que a partir dai me acompanharam até ao fim…
Já depois dos 100km percorridos cruzamo-nos com 2 peregrinos a caminho de Santiago de Compostela, estes já experimentados de mochila as costas e umas impressionantes botas de montanha!!! Cumprimentos, desejos de boa viagem e lá seguimos em direcções opostas mas com o mesmo principio…
Pelo caminho, são vários os grupos que se juntam ao nosso, que nos acompanham, nos ultrapassam ou simplesmente estão encostados a recarregar baterias, com autenticas “mesas de casamento”, com pic-nics que mais parecem manjares de deuses, camiões e carrinhas que servem para dormir, transportar agua e fruta, ou simplesmente para ter o rádio ligado enquanto cá fora se dança e canta como se não se tivesse já caminhado mais de 100km… o corpo humano tem mesmo muitos segredos!!!
Entre muitas peripécias, encontros e desencontros, que me demorariam horas a descrever aqui, lá chegou a esperada última etapa, Pombal-Fátima. Para quem não conhece, as retas da estrada nacional nº1, elas são na zona do Pombal, mais longas que em qualquer outra parte do pais. Assim, quando se começa 1 daquelas rectas e se vê o seu fim lá no fundo, caminha-se e caminha-se e parece nunca mais acabar a dita!!! É desesperante…aqui, mais 1 truque dos “velhos” da estrada: Sr. Fernando tenho de parar, ainda falta muito?! – Não…Não, é mesmo já ali!!! São mais 10m para parar. É como quem engana 1 criança, não por maldade, mas antes porque tem de ser assim, e pronto, lá fazemos nós mais 2 horinhas até a prometida paragem sem nos darmos conta disso.
Já agora deixem-me dizer-vos que o pior da viagem são mesmo as estradas, completamente impróprias para peões, perigosas, com bermas que nem 30cm têm em algumas partes do percurso e onde os camiões passam a altas velocidades a cm dos nossos corpos!
No Barracão, essa bela localidade, saímos finalmente da estrada nacional e tomamos o caminho dos peregrinos pelo meio dos montes, um “corta-mato” de cerca de 20km até Fátima, que todos os peregrinos vindos do norte atravessam, pois para além de ser mais curto, é o caminho em que encontramos o Monte de Santa Catarina e a respectiva Via Sacra com cerca de 8km mesmo antes de entrar em Fátima.
Nestes últimos km deparamo-nos com milhares e milhares de peregrinos, vindos dos mais diferentes e inimagináveis locais deste nosso Portugal, mas todos eles com 1 mesmo objectivo. Também aqui surgiu a nossa peregrina quase desistente…mas ao fim de mais de 1h de conversa e descanso lá a convencemos que quem chega até ali, chega até ao fim…
Depois da Via Sacra, vemos Fátima no horizonte e o nosso coração começa a palpitar cada vez mais rápido e mais forte, juntamo-nos em grupo, vestimos as t-shirts da luta contra o cancro, chapéu igual na cabeça, o Fernando toma a dianteira do grupo e levanta a bandeira do grupo (Aldoar – Porto) a mesma que usam no apoio aos sem-abrigo e estamos mesmo a chegar.
Finalmente, por volta das 15h30 do dia 11 de Maio de 2006, entramos no recinto e a emoção e os sentimentos estão a flor da pele, é indescritível o que se sente ao entrar naquele recinto depois de uma viagem destas! Em frente a Capelinha das Aparições, abraçamo-nos uns aos outros, cumprimentamo-nos, choramos, libertamos o que nos vai cá dentro…é reconfortante e inexplicável esta sensação, as dores que trazíamos no corpo desaparecem por minutos, a paz interior e a alegria apodera-se de nós e sentimo-nos bem, muito bem.
Depois é tempo de descanso, de tratar de bolhas e de dores musculares, de reconfortantes almoços, jantares e dormidas nas Irmãs Vicentinas (Grupo de Freiras muito simpáticas e que fazem o bem de Fátima), que albergam por estes dias vários grupos de peregrinos e que deles cuidam como se de filhos se trata-se.
Procissão das velas com mais de 200 mil pessoas e Procissão do Adeus com mais de 300 mil, nem sequer vale a pena falar, pois só lá estando se pode sentir, é-me impossível descrever-vos.
Já era religioso, embora não praticante, mas sempre com a minha fé muito própria e que só a mim diz respeito, com muitas dúvidas e opiniões muitas vezes diferentes sobre muitas das coisas que a igreja católica defende e preconiza. Continuo igual, com as mesmas opiniões diversas em muitas questões, continuo igual, com a minha fé interior, mesmo sem ir a missas e afins…
Mas no entanto, venho diferente, realmente diferente, sobretudo no que diz respeito à maneira de encarar situações e comportamentos, de aprender que cada um é o que é e faz aquilo com que se sente melhor logo que não “pise” ninguém, que o amor ao próximo, a inter-ajuda entre seres humanos e o braço ou a palavra amiga entre nós, vale mais que muitas coisas banais do dia-a-dia.
Se cada um de nós, mesmo não sendo religioso, não tendo fé ou acreditando numa qualquer outra religião ou forma de fé, e há que respeitar isso como tudo o resto, der o melhor de si em prol dos outros e em prol de uma harmonia entre todos, o mundo será melhor, mais fácil, mais humano e sobretudo mais livre.
Foi sem duvida alguma, uma experiência de vida, não sei se para algum dia repetir ou não, mas que me ajudou a fazer algo que há muito não fazia…discutir, pensar e reflectir comigo mesmo!

quarta-feira, maio 10, 2006

O NORTE É A NOSSA VERDADE

Embora não aprecie o autor em questão, nem como pessoa, nem como escritor, e sendo adversa quanto à partilha de “forwards” neste blog, não posso deixar de partilhar convosco o seguinte texto de Miguel Esteves Cardoso, que me foi remetido por uma amiga. Desde já peço desculpa pelo espaço ocupado tal a imensidão do texto, uma vez só ter sido capaz de excluir dois fragmentos, na esperança que aproveitem este esplêndido Louvor até ao fim:


”Primeiro, as verdades.
O Norte é mais Português que Portugal.
As minhotas são as raparigas mais bonitas do País.
O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela.
As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram.
Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. (…)
No Norte a comida é melhor.
O vinho é melhor.
O serviço é melhor.
Os preços são mais baixos.
Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia.
Estas são as verdades do Norte de Portugal.
Mas há uma verdade maior.
É que só o Norte existe. O Sul não existe.
As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta. Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte. No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista?
No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro.
Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país.
Não haja enganos.
Não falam do Norte para separá-lo de Portugal.
Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal.
Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal.
Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo.
Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte.
Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular.
É esta a verdade.
Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul - falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve - falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente.
No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa.
O Norte cheira a dinheiro e a alecrim.
O asseio não é asséptico - cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho.
Tem esse defeito e essa verdade. Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas.

O Norte é feminino.
O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher
portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso.
As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança.
Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade.
Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem.
As mulheres do Norte deveriam mandar neste país.
Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. (…) Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente.
Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial.
Só descomposturas, e mimos, e carinhos.
O Norte é a nossa verdade.
Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores.
Depois percebi.
Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o "O Norte".
Defendem o "Norte" em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular - o nome da sua terrinha - para poder pertencer a uma terra maior, é comovente.
No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto.
Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita.
O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar.
O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer "Portugal" e "Portugueses". No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como "Norte". Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?"

quinta-feira, maio 04, 2006

Silêncio privado!


Por falar em arte...
Desculpem mas tive de partilhar esta tela da minha autoria com todos! por várias razões, mas sobretudo porque ela me diz muito...
E já sabem, se quiserem podem saber todos os promenores sobre esta e outras telas em: www.galeriarenato.blogspot.com

quarta-feira, maio 03, 2006

A arte da sanita


Fountain

Já que entramos na onda da sanita, aqui deixo a obra de arte de Marcel Duchamp, um dos fundadores do Dadaísmo, cujo trabalho ultrapassa de modo inconvencional e humorístico as fronteiras da arte!

As latrinas ao ar livre tornam o ar irrespirável :)


Eu descontraí e sorri! Mais desses Renato!

sábado, abril 29, 2006

Alguem me explica?!?

Será que alguem me pode explicar como e porquê o meu post com o titulo: "Wc Perfeito", desapareceu?!?
Alguem o apagou?! Se sim gostava de saber as razões...
Penso que não era de todo ofensivo, pelo contrário era uma mera brincadeira, para descontrair e suscitar 1 sorriso...

Mulher- Labirinto

A emoção que veio vermelha
virou saudade branca
e ficou a lembrança cor-de-rosa
do teu olhar azul
do meu sorriso amarelo
e daquele nosso desejo
tão cor-da-pele.

Gravei a tua voz no meu tímpano.
as vezes labirinto
faço que sinto, as vezes minto
vinho tinto, amor rosé.
tu
de vez em quando instinto.

sexta-feira, abril 28, 2006

Liberdade Sempre

Ainda relativamente ao 25 de Abril, mais concretamente a um comentário que fiz a um post do Renato, que pelos vistos lhe deixou dúvidas, quero apenas dizer o seguinte:
- Se alguém tem dúvidas sobre se eu preferia ainda viver em ditadura é porque não leu os meus posts anteriores com atenção. Considero-me apenas o mais liberal de todos os cósmicos. Sou liberal em todos os aspectos transversais à sociedade. LIBERDADE SEMPRE.
- Tenho dúvidas que, se não fosse através de uma revolta militar, alguma vez o povo português se insurgisse contra semelhante regime. Digo até mais, se em 1974 houvesse eleições livre em que Marcelo Caetano pudesse concorrer, arrisco 9 em 10 como o déspota ganharia. João Jardim, Avelino Ferreira Torres, Narciso Miranda, Mário de Almeida, Mesquita Machado e tantos outros só saíram ou saem do poleiro quando quiserem porque o povo legitima, através do voto, o poder daqueles que vivem arragados a ele.
- O povo português é averso à mudança e ao risco. A culpa de sermos pobre é do povo português, da sua elite, dos seus políticos, dos seus mestres, de todos nós. A inquisição e o Estado Novo expulsaram do país a maior parte daqueles que tinham empreendorismo no sangue. Os que cá ficaram sempre viveram e sustentaram o seu negócio à sombra de proteccionismo estatal.

Este estado da nação não se altera em 25 anos, mas pode-se alterar em 50. Ao dizer isto estou a colocar toda a responsabilidade, de mudar para melhor o nosso país, na nossa geração. SOMOS NÓS, que temos que saber escolher melhor os nossos governantes; SOMOS NÓS, que temos que exigir formas de responsabilização política e descobrir novas formas de intervenção; SOMOS NÓS, cada um de nós, que tem que se sustentar (chega de anos consecutivos de andar uns a manter a boa vida dos outros). À sociedade cabe proteger as crianças, os idosos e os incapacitados. Àqueles que falte vontade de trabalhar, a sociedade nada tem a dar.
Já estive mais convicto da capacidade da nossa geração mudar este estado de coisas. Mas, como bom sportinguista, a esperança é sempre a última a morrer.

Um desvio ao assunto principal. O discurso de Cavaco Silva não me agradou. Demasiado esquerdista e utópico. Pactos de regime no que diz respeito a políticas de igualdade social?
Por favor Sr. Presidente, mas onde é que andou nestes últimos 25 anos? Tratou-se de um discurso inútil, sem consequências absolutamente nenhumas, que daqui a uma semana estará completamente esquecido por todos.
Do meu ponto de vista, caberia ao presidente relembrar aos outros poderes consagrados na legislação (especialmente o poder legislativo, isto é, a assembleia da república constituída por deputados e ao poder judicial na pessoa dos magistrados) a importância que têm na sociedade e formular propostas que visassem a melhoria da sua credibilidade. A consagração dos quatro poderes foi uma vitória do 25 de Abril. É imperioso que todos funcionem em pleno, para bem da democracia. Ora, o que nós vemos no parlamento e na justiça é uma verdadeira vergonha.
ACTUALMENTE, SINTO VERGONHA DA NOSSA DEMOCRACIA, DA NOSSA REPÚBLICA. SINTO VERGONHA DE SER PORTUGUÊS.

P.S. - Desculpem a minha ausência prolongada. Esta ficou-se a dever a motivos profissionais mas também a uma fase de menor motivação para escrever.

quarta-feira, abril 26, 2006

25 de Abril não se comemora, vive-se a cada dia!

Essa é a maior comemoração que se pode fazer ao 25 de Abril. Viver a Liberdade que nos foi proporcionada nesse já longinquo dia de 1974.

Não é por ir para a rua no dia 25 de Abril, com um cravo na lapela, que se é adepto da Liberdade.

Até porque os cravos que então simbolizaram iconograficamente a Revolução (e não a Liberdade) foram "apossados" por diversos partidos políticos cujos conceitos democráticos são, no mínimo, estranhos e cuja Liberdade, mormente a de expressão, não é práctica corrente. E não sendo hoje o cravo um simbolo da Liberdade, que foi aquilo que de melhor herdamos da Revolução, não faz qualquer sentido hoje ter de se andar com um na lapela. Até porque, esteticamente, é discutivel a validade de tal coisa...

Eu que nesse dia de 1974 tinha 1 ano, 7 meses e 6 dias de idade, sou por assim dizer, um filho da Revolução. Sempre vivi em Liberdade. Nunca soube o que era não poder expressar a minha opinião ou fazer aquilo que entedesse dentro da tolerância devida que um acto tenha perante os outros: a minha Liberdade termina onde começa a do vizinho! Por isso, para mim a Liberdade é tão banal que não a comemoro; vivo-a!

Restava-me então comemorar a Revolução. Coisa que não o faço. Não porque não concorde com ela, mas porque ela foi apenas o principio do processo que nos trouxe a Liberdade. Que apenas se concluiu no 25 de Novembro de 1975, um ano e meio depois... Ou talvez mais tarde ainda, já nos anos oitenta, quando foi extinto o Conselho de Revolução...

Para mim, o 25 de Abril significa o inicio do processo que nos deu a Liberdade. De agir, de sermos, de pensarmos, de falarmos. A melhor forma que sei de comemorar é a cada dia fazer tudo isso. Como escrever isso aqui. Sem cravos na lapela.

terça-feira, abril 25, 2006

25 de Abril ... SEMPRE!!!


Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

.................................................
Sinceramente, gostava de ter nascido uns anos mais cedo, apenas e só por uma razão!!! para ter podido participar, naquele dia... talvez o dia mais feliz da história de Portugal.
Penso que, por razões obvias, não presiso de escrever aqui um texto massador sobre o que foi o 25 de Abril, muito menos o que ele significou e significa para todo um povo, para toda uma cultura...
Assim, simplesmente quero dizer-vos: NÃO SE ESQUEÇAM!!! porque um povo e uma nação que não tem memória, está condenado a morte...
25 de Abril ... SEMPRE!!!
LIBERDADE ou MORTE!!!

segunda-feira, abril 24, 2006

sábado, abril 22, 2006

sexta-feira, abril 21, 2006

Curiosidade!!!

Não podia de modo algum deixar de partilhar com todos esta preciosidade que me veio parar à caixa de mail, e à falta de melhor que pensar acabou por ser um momento de reflexão muito pertinente....
Partilho com vocês, na espectativa que todos tenham tido uma boa páscoa e etecetera...

Na quarta feira , 4 de Maio, 2006, 2 minutos e 3 segundos depois da 1:00 AM da manhã, as horas e o dia serão assim:

-----> 01:02:03 04/05/06
Isto nunca mais vai acontecer na vossa vida...ja pensaram nisso?!?

quarta-feira, abril 19, 2006

Autismo

Cheguei hoje à conclusão que o nosso Ministro das Finanças é autista, tem um mundo seu onde vive e uma linguagem prórpia com a qual tenta comunicar, mas da qual o comum cidadão não consegue perceber patavina!

Então o senhor vem todo contente anunciar o défice de 6% para 2005, quando em 2004 o défice foi de 2,8% (ou de 5% antes de aplicar receitas extraordinárias).

Então o senhor vem constantemente certificar a boa saúde da nossa economia após os esforços por ele tomados e vem agora o Banco de Portugal traçar um cenário negro que se resume a TAXA MÁXIMA DE DESEMPREGO EM 20 ANOS, ESTAGNAÇÃO DO EMPREGO, MENOS EXPORTAÇÕES pois perderam quota de mercado, MAIS IMPORTAÇÕES, ENDIVIDAMENTO A CRESCER, INVESTIMENTO QUE NÃO CRESCE e DÉFICE EXTERNO VOLTA A SUBIR, para além do aumento do petróleo para valores superiores a 72 dólares/barril que podem invabilizar qualquer crescimento económico face à total dependência crónica que temos e ao constante subir de preços de tudo que isso vem acarretando!

Hello! Is there anybody out there?

terça-feira, abril 18, 2006

Limiar da pobreza



Segundo a União Europeia, é considerado pobre aquele que ganha 60% do salário médio do seu país. Como em Portugal a média dos salários é de 645 Euros (129.311$), o nosso limiar de pobreza é o mais baixo de toda a U.E.
Dá que pensar não dá?!?

sábado, abril 15, 2006

Deputados Faltosos

Os deputados mais faltosos nos primeiros oito meses de Parlamento....Ver a divulgação do Expresso

A Ler

POLÍTICAS PARA FAZER OPOSIÇÃO - Pacheco Pereira no Público

Deslocou-se o PS para o "centro", onde tradicionalmente habitava o PSD, ocupando um espaço político que o asfixia? Como se pode fazer oposição contra um governo que parece realizar com mais determinação as reformas que sempre foram defendidas pelo PSD? Não é possível, ou é difícil, tomar uma posição distinta, que demarque o PSD do PS? Todos os dias é possível encontrar este tipo de afirmações, que me levam a uma reacção do género: tretas, bullshit. Quisesse o PSD e todos os dias se perceberiam claras e distintas as diferenças, onde há diferenças. O problema, também tão claro e distinto, está no "quisesse".

Continua no Abrupto......Ver Aqui

sexta-feira, abril 14, 2006

Novas Telas

Amigos...se tiverem 1 tempinho, passem no meu blog de pintura...tenho NOVAS TELAS:

www.galeriarenato.blogspot.com

quinta-feira, abril 13, 2006

Pecador eu?

O cardeal americano James Francis Stafford, o penitenciário-mor do Vaticano, revelou esta terça-feira, na Basílica de S. Pedro que pode ser considerado pecado com a obrigatoriedade de ser confessado:
- demasiado tempo a ler jornais,
- demasiado tempo a ver televisão,
- demasiado tempo a navegar na Internet,
- o excesso de velocidade
- a fuga aos impostos.

Recomendou ainda a leitura da bíblia, uma prática, aliás, que a Igreja Católica poderá aconselhar para substituir qualquer penitência mais tradicionalista.

PS 1: Despois da Pascoa, deixarei de ler Jornais, Ver TV e navegar na Internet.
PS 2: Vou cumprir os limites de Velocidade
PS 3: Nunca fugirei aos impostos (se jogar ao Sobe e Desce, vou declarar no IRS)
PS Ultimo: Espero que com o pecado da fuga aos impostos seja conseguido combater o defice, afinal somos um pais de catolicos, ou não?

"Onde estava o Sr deputado no dia 12 de Abril?"

Para aumentar ainda mais a desacreditação nas politicas e nos políticos, os ex.mo Srs. deputados foram de férias mais cedo impedindo assim de se realizar a normal secção de votações semanais na Assembleia da República.

A falta de quórum impediu as votações, porque dos 230 deputados, 119 não compareceram na secção, ou melhor, a maioria destes assinaram o livro de ponto e foram embora....uma vergonha

Não deveriam ser estes senhores um exemplo para o pais?
Para quando a diminuição do nº de deputados?
Para quando uma verdadeira responsabilização dos políticos?