Ora, como se falou de professores, eu senti-me (afinal faço, ainda, parte da classe). Como o Nuno Silva Leal em saiu em sua defesa, eu tinha mesmo que responder. (Estou a brincar, caro Nuno... porém, discordo de muito do que dizes).
Realmente, não é verdade que os professores trabalhem 22 horas na Escola, é, até, uma grande mentira. Os professores (a maior fatia) leccionam em 22 tempos lectivos. Cada tempo lectivo são 45 minutos, o que implica que eles só leccionem 16 horas e 30 minutos. Logo, essa história das 22 horas é uma treta pegada. Para além disso, conforme vão progredindo na carreira (e enganem-se aqueles que pensam que a progressão não é automática, mas já lá iremos) vão tendo menos horas de aulas - gostava de saber qual é a profissão em que isto acontece. Depois há todas as variantes, quem é director de turma tem redução de horário (ou seja, ficam com uma hora para atender os paizinhos e as mãezinhas, mas raramente os encontramos naquele local). Se forem presidentes de Departamento reduz-se também uns tempos, se pertencer ao Conselho Executivo também anda aliviado, entre outras excepções. Alguns professores, espertos, juntam duas ou três coisas e pimba ficam com uma turminha apenas (pode parecer mentira, mas a minha orientadora de estágio fez-me o favor de me explicar como é que ela ia fazer para isso acontecer - e é legal). Por aqui já se vê que as 22 horas não existem para todos os professores, e nem os 22 tempos existem para parte deles.
Quanto aos feriados e dias santos a trabalhar, é verdade... quando é. O que quero dizer é que a grande maioria dos professores não prepara aulas, vai para lá e vê o que acontece, ou, normalmente é o que acontece, lecciona um determinado nível durante muitos anos, para não ter que andar constantemente a estudar matéria nova e poder, assim, não ter muito trabalho a preparar as aulas. Vi, durante este ano, muitos professores a apresentarem material aos alunos ainda batido à máquina (nem uma tentativa de adaptar foi feita). Assim como testes, etc. Claro que a correcção dos testes demora, é certo, mas quando muito, uma turma de 27 alunos, à disciplina de português, demora-me, no máximo, um dia. Se és um professor normal, tens cerca de 5 turmas, logo, cerca de 10 testes por período. Ou seja, 30 testes. São 30 dias. O dia de folga que tens por semana, em nove meses, é-te suficiente para corrigires os testes, ou não?
Não creio que fales a sério quanto às reuniões, pois as de Conselho de Turma acontecem, normalmente, duas vezes por período lectivo, e as de Departamento, ordinariamente, uma vez por mês. Havendo, muito raramente, uma reunião geral de professores.
Após isto tudo e para agravar, tens mais férias do que qualquer pessoa, ou não é verdade?
Quanto à progressão na carreira, esta é automática, pois só tens que tirar uma formação em "estudo das pedras da calçada", desde que reconhecida pelo Ministério (um exemplo é: Formação em Trabalhos com Barro - esta é real) e lá vais tu. Normalmente até conheces o formador que te aprova mesmo sem lá pores os pés. Depois esta formação em nada é aplicada na escola de forma a melhorar o ensino, até porque os professores em vez de fazerem uma única por ano, faz cada um a sua, sem resultados práticos.
Por isto tudo, discordo da tua posição e concordo com o Miguel Carvalho. Concordo contigo numa coisa: os professores deveriam ter condições para trabalharem na escola, isso creio que tens toda a razão.