| Caro Miguel, Caros/as participantes, Ninguém falou em negar o direito à maternidade, pois é inegável que nos aspectos biológicos ligados à maternidade/paternidade, existem diferenças naturais entre homens e mulheres, mais por uma questão de sobrevivência do que emocional, já que o vínculo ou ligação emocional que se estabelece entre o/a filho/a e a mãe ou pai não é algo genético mas faz parte da nossa aprendizagem. Só assim se explica a existência de mães negligentes e assim se refuta a tua ideia de que o vínculo entre mãe e filho/a seja mais forte do que entre pai e filho/a. Claro que ambos os sexos são diferentes, mas isso não implica que sejam desiguais. Infelizmente ainda subsistem muitos estereótipos quando ao género feminino, especialmente a ideia de que a mulher está destinada a “dona de casa” e “mãe extremosa”, ideias eliminadas da Constituição Portuguesa há quase 30 anos… Hoje em dia, o Direito Português reconhece igualdade, direitos humanos e liberdades fundamentais para todos/as os/as cidadãos/ãs. Contudo, a distância entre a situação de facto e a teoria é grande, pois ambos os géneros desempenham papéis bem desiguais na sociedade. De facto, no que respeita os papéis sociais, a assimetria quanto a oportunidades, direitos e deveres sempre foi e continua a ser flagrante (basta ver o histórico de violência e submissão imposto às mulheres durante os séculos e a situação actual patente nos dados que a seguir apresento), especialmente porque não são dadas à mulher oportunidades de conciliação entre a vida familiar e profissional. As leis por si não chegam se o seu cumprimento não for exigido. Para além disso, se atendermos ao facto de que apenas em 1982 a violação dentro do casamento passou a ser crime e que apenas em 2000, os maus tratos perpetuados pelo cônjuge passaram a crime de natureza pública, quanto tempo não precisaremos até que as mentalidades mudem e se desmistifiquem as ideias pré-concebidas? Não se trata de querer mais direitos, mas de justiça social. Sem igualdade entre os géneros, nunca teremos uma sociedade verdadeiramente justa, democrática, desenvolvida e respeitadora dos direitos humanos. Factos… Paradoxalmente…
PS: E que tal Observador/a Cósmico/a? |
Macau que se vai perdendo
Há 5 anos