quinta-feira, junho 02, 2005
Continuando
Uma das principais razões que sou do PSD (embora me considere da ala esquerda do PSD) é que acredito tal como o Nuno referiu que o papel do Estado na económica deverá ser o mais reduzido possível, sendo esta confiada à auto-regulação do mercado. O Estado deve limitar-se a facilitar a produção privada, a manter a ordem pública, fazer respeitar a justiça e proteger a propriedade.
Mas Nuno, percebi a tua ideia relativamente aos tribunais, defendo não sabendo muito bem como, a separação da justiça e do Estado…mas nunca privatizando, caso contrario teríamos tribunais na Sonae, nos hipermercados Modelo e continente…… com direito a desconto a quem abastecer combustíveis em postos Galp, ou do género, ehehehe
...continuando, em nome da famosa globalização recorre-se cada vez mais à liberdade de comércio internacional, as empresas Têxteis do Vale do Ave que o digam, com a eliminação das barreiras alfandegárias aos produtos têxteis oriundos da China.
Com o fim do proteccionismo, para tornarmos mais atractivo o nosso país para investidores nacionais e estrangeiros, deveríamos recorrer à redução dos impostos e à redução da intervenção do Estados em muitos sectores (saúde, educação, transportes, energia, comunicações, etc).
Mas ao contrário do que afirma o Jonny, eu não vejo só no aumento do IVA como a única razão para dizer mal deste Governo, o principal defeito deste Governo no meu entender é não ter coragem suficiente para combater a despesa pública e consequentemente a redução da intervenção do Estado.
Por isso, não votarei PS em 2009, mas também não votarei PS, pelo facto dos seus dirigentes enganarem os portugueses desde a hora que afirmaram que não sabiam do estado das contas públicas ate ao momento do aumento dos impostos……...mas vem mais, esperem.
Em especial ao Despertador, mas para não esquecer, guardem para 2009 o programa eleitoral apresentado pelo partido Socialista às eleições de 20 de Fevereiro de 2005, “Bases Programáticas”
Pois, afinal quem tinha razão era o Pimenta Machado, afirmando “O que hoje é verdade, amanha é mentira”
quarta-feira, junho 01, 2005
Resposta
A iniciativa privada é boa, Miguel, nunca disse que era má. Apenas me parece que só isso, tal como só iniciativa pública, é mau e em nada desenvolve um Estado socialmente correcto, não concordas, agora, comigo?
Quanto a ti, Nuno, discordo de podermos escolher o tribunal. Se tiveres um cunhado juiz, já sabes, escolhes o tribunal, nem que seja o de Faro, seria correcto? O problema da direita, no meu entender, é esse. Partir do princípio em qe há uns que funcionam melhor e dar a possibilidade de escolher, denota, logo, pouca vontade de melhorar os que funcionam mal. Este processo é equivalente às escolas. O Governo de Durão Barroso, decidiu atribuir mais verbas às escolas com sucesso educativo, do que àquelas com menor sucesso. Palminhas, palminhas, fez muito bem. Ora... Alguém se dará ao trabalhar de ver as condições de uma e as condições de outra? Alguém compreenderá que nunca mais a escola com menor sucesso poderá ter resultados equivalente à outra, pois nunca mais as condições serão as mesmas? Alguém se dá ao trabalho de compreender que o capital cultural dos alunos, por exemplo, em pleno interior é menor do que o capital cultural dos alunos urbanos, principalmente se forem de bairros de classe média? Não, claro que não. Tudo é competição e o melhor ganha... tudo. Num estado social, s há bons, também temos que olhar para os menos bons, ajudar, principalmente esses, a chegar ao patamar dos outros. Não é como o magnífico sistema educativo Americano, em que tu escolhes a escola. Depois existem as escolinhas dos meninos e as escolas dos vadios. Isso nos tribunais teria consequências bem piores (ou não...). Escolhes o tribunal, o tribunal também terá que escolher o teu processo, porque, imaginemos, passar uma quantidade de processos para um outro tribunal, com fama de funcionar melhor, acabava no mesmo: o tribunal entupia e parava. Logo era necessário que o tribunal selecionasse. Isto implicaria que o pobre, aquele que não tem cunha, ficava no tribunal 3 anos. Aquele que tem cunha ia para o o outro e em 2 meses estava pronto. Está-me a falhar a palavra para classificar este método... Injusto. Se a injustiça já existe dentro do tribunal, imaginemos assim.
Esquerda, Direita, Hein Hein...
Discutir a diferença entre PS e PSD é outra.
Volto a referir. Se o PSD tiver no poder um verdadeiro social democrata (como Sá Carneiro ou Filipe Menezes) e o PS um socialista de terceira via (como o Sócrates ou Vitorino), então o PS está mais à direita do que o PSD.
Se o PS tiver no poder um socialista da ala esquerda (Ferro Rodrigues ou João Soares) e o PSD um liberal (Durão Barroso ou Borges) estará o PSD mais à direita.
Isto para referir que o cruzamento ao centro está mais do que evidente nas correntes que dominam actualmente estes dois partidos (veja-se que dou sempre dois nomes). Só uma situação de Borges vs Soares poderia levar a uma distância um pouco mais acentuada.
Quero aqui afirmar mais uma vez que sou um defensor do Estado regulador e não interventivo. Fui a favor da privatização da PT, EDP, do gás, do cimento, etc... (Sou contra a privatização da água, porque defendo que a água deveria ser um bem gratuito - mas isto ainda há-de dar pano para mangas aqui no blogue). Acredito na iniciativa privada como motor da economia e da sociedade (Xavier, a soma das iniciativas privadas é que faz o progresso, olha o caso da URSS, da China ou de Cuba no que deu - já reparei que és da ala esquerda do PS e ainda vais dizer muito mal deste governo) (Nuno, tu que acreditas tanto no valor do indivíduo, e eu também, como podes dizer isso sobre Nietzsche? - Viva o Super-Homem)
Mas Nuno, tu falaste numa coisa que para mim representa o primeiro passo rumo à anarquia - escolher o tribunal onde quero ser julgado. Não podemos privatizar algo que está instituído como um dos poderes do Estado. Simplesmente não faz sentido. Ao Estado compete criar as condições para que os tribunais funcionem eficientemente e de forma imparcial e justa para existir confiança na sociedade (empresas e cidadãos).
Passando para a política económica.
Quando chegou ao poder o PSD subiu impostos. Pediu sacrifícios que não resultaram em nada e não tomou medidas para reduzir o peso do Estado, preferindo antes as medidas extraordinárias.
O PS encontrou a situação ainda mais difícil. Subiu impostos para fazer face ao desequilíbrio no curto prazo e anunciou as medidas que todos os economistas impunham como essenciais para a criação das condições para o crescimento. Iniciou a reforma da administração pública e colocou num patamar mais próximo da sociedade civil os funcionários públicos, que eram uma "classe" claramente privilegiada. Para além disso defendem uma clara aposta nas novas tecnologias, dando para isso especial destaque à iniciativa privada. Aliás, hoje em dia ouvimos "n" vezes os socialistas a falarem em iniciativa privada e ainda bem.
Para concluir. Um social-democrata e um defensor do socialismo da terceira via tem o mesmo ideário. São do mesmo partido. Estes podem ter é nomes diferentes.
Isto é entusiasmante!
Desde já quero esclarecer que a história dos 10 anos de atraso não foi ideia minha... eu apenas fui defendendo a tal minha "dama":)... Ninguém aqui na discussão me parece atrasado, muito pelo contrário... e acho que começo já por aí!
Ser socialista não é nenhum desprimor nenhum, aliás, eu seria um excelente socialista se não tivesse o desejo secreto de querer que seja sempre um iluminado a governar. O Socialismo é realmente muito bonito e cativante, mas ( e já nem vou falar do facto de não sermos todos iguais) nem todos somos auto responsáveis e conscientes do que é bom para todos, e é isso que mina o Socialismo, no meu parco parecer. A via escolhida para a perfeição social, não existe! Mas, não quer dizer que o Socialismo não deva desempenhar o seu papel...ele é fundamental!! A preocupação socialista permite amolecer o endurecimento intrínseco ao pensamento liberal, e vice-versa (como é exemplo o sentimento de obrigatoriedade de decisões anti-sociais que este governo português conheceu assim que chegou ao poder)...é assim que tem sido, e parece-me bem!
Gostava de admitir sem medos neste blog que concordo muito facilmente com a visão dos "iluminados" do A.Herculano e do O. Martins...agora quem são os iluminados e quais as entidades que devem fiscalizar a sua luz, isso são outras núpcias...
Estou a ler um livro de História do Pensamento Económico, que nas suas imensas páginas leva-nos num passeio desde a Grécia Antiga até às correntes evolucionistas actuais...é sem dúvida na esfera económica que o desenvolvimento da Política se dá! Passei à pouco a 1ª metade do livro, e onde é que eu estou? Pouco depois da febre da Rev. Industrial e consequentes desigualdades sociais, em que os méritos e culpas do Capitalismo/Liberalismo foram experimentados, eis que surgem uma série de pensadores, muitos deles mais actuantes do que pensadores, que me têm captado a atenção pela beleza da sua ideologia social: Os primeiros socialistas! dos quais destaco o alemão Fichte (séc. XVIII/XIX) de quem retive a melhor descrição dos fins socialistas: levar à auto-extinção do Estado! (socialismo = a Estado zero - que ironia:) isto é, após gerações de Socialismo, o Estado tenderia a desaparecer porque todos os indivíduos já teriam interiorizado todo o espírito de comunidade necessário! Claro que ele, "liberalmente" falando, admite a impossibilidade deste fim... Já agora, pode-se dizer que Fichte foi o primeiro a reivindicar a necessidade de um BI, o primeiro a falar em planificação da produção e consequente abolição da propriedade privada!
Bem, já é tarde, vou ler umas páginas e vou dormir:)
Só para me contextualizarem em termos de interesses nesta área, dei a mesma especial atenção a um contemporâneo de Fichte, o inglês Malthus "um liberal de Cristo", que defendia a miséria, e o sexo apenas para procriação, no entanto marc, pela forma como justificava a ordem liberal fundada na propriedade e na desigualdade social, todo o pensamento económico até aos nossos dias...
Não sei qual deles o melhor, sinceramente, mas acho que foram os dois necessários! Abraços
terça-feira, maio 31, 2005
Há muita confusão no ar
Temos o João que vai defendo a sua (nossa!) dama como pode.
O Pires que manda umas ferroadas e ajuda no caos.
E eu, que nem sei muito bem o que vou para aqui dizendo! ;)
Mais a sério, agora.
Discordo em absoluto que o PS hoje defenda posições do PSD de há dez anos atrás. O PS de hoje, como o de há dez anos atrás, defende sempre a mesma coisa: mais Estado, mais impostos, a menutenção do Estado-social.
O PSD de há dez anos atrás defendia, com Cavaco Silva, o contrário do que o PS hoje faz e o mesmo que o PSD hoje defende: menos Estado e melhor Estado, o Estado-regulador em vez do Estado-interventivo, maior privatização de serviços prestados pelo Estado.
Como já o disse num dos comentários, eu vejo o PS e o PSD como partidos muito próximos nos objectivos finais que pretendem - melhorar a qualidade de vida dos portugueses, aproximar-nos dos reais níveis europeus - mas vejo-os completamente separados quanto à forma de o conseguir.
O PS vai pela via, socialista/comunista, da intervenção do Estado em todas as áreas, o Estado ser o motor da economia.
O PSD vai pela via, liberal, da menor intervenção possível do Estado, limitando-se tanto quanto possível a regular, sendo a iniciativa privada o motor da economia.
E é exactamente por esse motivo que nunca poderia votar no Sócrates em 2009, seja qual for o sucesso destas suas medidas. Porque discordo total e absolutamente delas. Não quero um Estado presente em cada passo que dou, com uma estrutura pesadíssima, com cerca de 10% da população activa em Portuggal ao seu serviço, que alimente o parasistismo social através do fornecimento do peixe em vez de dar a cana e ensinar a pescar. Não quero isso. Quero um Estado que me ofereça auxilio em momentos extremos mas que me deixe a mim a capacidade de decidir o que fazer com os meus descontos, que nos deixe a nós, sociedade civil, a gestão de muitos organismos que são mal geridos pelo Estado (por exemplo, os Correios, que ainda hoje para não subir uns andares no prédio onde vivo preferiu deixar o aviso e dizer que ninguém estava em casa, coisa recorrente...). Quem me dera que o Estado não fosse o maior patrão português, que tivesse a possibilidade de escolher um tribunal como tenho de escolher um notário, que tivesse a possibilidade de optar sobre a forma como os meus descontos são geridos, que os meus impostos não fossem em grande parte para pagar ordenados e material de escritório de serviços do Estado que pouco produzem...
Portanto, a questão é a seguinte: Miguel, concordas com o constante subir de impostos necessários para a manutenção deste Estado pesado? Então vota Sócrates, que é igual a votar Guterres 95/99 ou Sampaio 91 ou Almeida Santos 87 ou Mário Soares até 85.
Ou, pelo contrário, preferes um Estado mais leve, se calhar mais liberal no sentido económico do termo? Então deverás votar no PSD do Marques Mendes se ele for o líder em 2009, que é próximo do voto no Barroso em 2002 ou igual a votar no Nogueira em 95 ou no Cavaco em 87/91 ou no Sá Carneiro em 79/81.
Essa é a grande diferença entre o PS e o PSD hoje, entre o centro da esquerda e da direita em Portugal. Mais ou menos Estado! Regulador ou interventor! Privatizado ou nacionalizado!
E se metermos a paixão pelo meio, partimos esta coisa toda em bocados porque o maior da liberdade em Portugal, do período liberal e clube não nacionalizado, é mesmo o FC Porto... e o resto é treta!
Desafio
Fui lendo o que aqui foi escrito sobre a esquerda e a direita. Agora, permitam-me, direi alguma coisa, para não permanecer calado, apenas. Primeiro, sou socialista por acreditar que primeiro vem o social e só depois a economia (como já disse ao Nuno Silva Leal). Sou socialista, porque me preocupo com a sociedade e não acredito que esta mude através da iniciativa privada, ou por puro efeito económico. O neo-liberalismo, caminho por onde o PSD, salvo raras excepções, sempre enveredou, nada trás de novo à maioria da população. Esta não enriquece só porque o Estado é rico, ou porque no seu país está o ser mais rico do planeta. A população só vai ganhando alguma coisa com as medidas socialmente benéficas, isto é, com todos os direitos sociais que tem. O simples facto das mulheres (e agora os homens) poderem ter licença de parto foi uma conquista social, o direito à greve, o direito a unir-se em associação, o direito ao fundo de desemprego, o direito à baixa, o direito às pensões, o direito ao Serviço Nacional de Saúde a custos simbólicos, o direito à educação gratuita, etc. Todos estes direitos são fruto do prevalecimento do social sobre o económico. Tudo isto tem consequências para o Estado, mas queremos ter um Estado marcadamente neo-liberal com um SN Saúde pior do que o nosso como os EUA? Queremos ter um sistema educativo tão mau como o dos EUA ou da Inglaterra? Creio que não.
Depois há outro ponto, o que é liberal e o que é neo-liberal. Ora bem, o liberalismo acreditava que a liberdade de um cidadão acabava onde a liberdade do outro começava, no individualismo. Para além disso, o liberalismo, ao contrário do que se pensa, não era democrático. Para acreditarem, leiam a correspondência entre Oliveira Martins (o tio avô do nosso contemporâneo) e Alexandre Herculano. O liberalismo acreditava que a democracia é um erro, pois nem todos os homens devem ter o direito de governar, apenas um conjunto de iluminados. Herculano defendia que era preferível a ditadura de um sobre muitos, do que a ditadura da maioria. O neo-liberalismo recupera, até certo ponto, as ideologias liberais. Os neo-liberais acreditam que o indivíduo está acima de tudo, ou seja, individualismo. O que implica que um indivíduo está acima de outras, ou seja, acredita nos iluminados liberais. Para além disso, a economia é o ponto fulcral e tudo deve girar à volta dela, logo se de quando em vez tivermos que atropelar direitos aos outros, meu filho, tem que ser. Não me esqueço que já Fernão Lopes tinha consciência de que quem faz a história é o povo, não o indivíduo.
Ora meus amigos, eu nunca olhei para os EUA e para a Inglaterra como exemplos. Sinceramente, não o são, pois grande parte da sua população tem menos direitos do que nós. No entanto, olho para a Espanha como exemplo, para França. E sou um adepto convicto daquilo que Lula da Silva faz por terras brasileiras (aconselho-vos a leitura da Courrier Internacional que saiu na Sexta).
Johny, perdoa-me, mas não podes dizer que a nossa ideologia não funciona. Se levada a extremos, concordo (porém, nem a tua). Em grande parte da Europa ela funciona. Gostava que me explicasses melhor, por que é que eu estou atrasado dez anos, e por que é que não funciona. O que disseste deu-me razão, os neo-liberais acreditam nos iluminados.
Citando
"Embora ela pareça susceptível de unir, nada divide tanto como a verdade." Rostand , Jean
"As nossas únicas verdades, homem, são as nossas dores." Lamartine , Alphonse de
OK! acho que estámos em sintonia!
E mais, eu estou esclarecido, não preciso inventar novos catálogos políticos para afiançar que a Esquerda tem tendido para a Direita, demarcando-se numa nova "via", só para não admitir a falência da sua ideologia!
A Heterogeneidade das Esquerdas e das Direitas
Abordando superficialmente o debate sobre a esquerda e a direita: há várias esquerdas e várias direitas dentro das nações e a nível europeu.
A impressão que eu tenho é que os trabalhistas de Tony Blair (os socialistas que apregoam a terceira via - um termo engraçado da evolução socialista que, e ainda bem, ao contrário dos comunistas, se soube adaptar a uma realidade completamente diferente) são mais à direita do que os conservadores franceses de Jacques Chirac.
Com isto pretendo dizer que debater a diferença, a nível europeu ou global, entre esquerda e direita pode-se tornar uma discussão sem fim. Depende muito das realidade de cada sociedade. O Estado francês é por definição um Estado social, enquanto o britânico tem uma visão mais liberal e menos intervencionista. A principal razão apontada pelos especialistas e historiadores foi a revolução protestante (pra ti Johny), que atribui mais valor ao indivíduo, à sua capacidade e à sua iniciativa. Segundo os especialistas foi a sustentação teórica, social e até moral para o arranque da revolução industrial em Inglaterra. (Ler o livro "A Riqueza e a Pobreza das Nações" de David Landes - muito bom e grande em todos os aspectos).
Ao nível de Portugal: o PS fala abertamente em terceira via, ou seja, está possivelmente no campo onde estava o PSD à 10 anos. O PSD está a caminhar para um sentido que não existia em Portugal, porque parecia mal quando vinhamos de uma ditadura, que são os liberais (o termo é completamente o oposto de ditadura - não sei porque parecia mal). Esta corrente, no entanto, tem um peso semelhante ao que os verdadeiros sociais democratas têm, pelo que o partido me parece dividido ao nível da corrente ideológica a seguir. Há algumas diferenças na concepção das responsabilidades do Estado entre uma e outra corrente.
Pela multiplicidade de correntes hoje existentes e pelo seu cruzamento e encontro em tantos pontos, ao contrário de à 50 anos onde apenas existiam duas correntes que ainda por cima se situavam em polos opostos, é-me muito difícil dizer que sou social democrata, socialista da terceira via ou liberal.
Sócrates descorrompeu-me. Eu que não me imaginava a votar socialista, hoje consigo perceber que não estou bem estando de certa forma condicionado por pertencer a um partido.
Se pertencer a um partido nos cega (como é o caso do Johny) eu opto por não pertencer. Corri esse risco desde que me lembro (primeiro em festas e caravanas depois como militante inactivo), mas ainda bem que não fiquei corrompido, que é como quem diz, cego.
P.S. - Aquele abraço a todos os amigos cósmicos. Peço desculpa se às vezes demonstro pouca humildade ou arrogância em demasia. Comigo está sempre tudo tranquilo... :) Se calhar foi por ter lido Nietzsche, mas eu creio que é sobretudo por defender as minhas ideias com plena convicção. Não tenho problemas em mudar de opinião, porque em mim não há dogmas que colem.
Apenas existe uma verdade absoluta. O SPORTING É O MELHOR. Foi a paixão a falar... :)
Em resposta...
E isso acontecendo pode não me satisfazer...
Por vezes uma medida governamental em concreto, no meio de pacote de medidas bem sucedidas pode ter um impacto em mim tão negativo que invalide o facto de votar no responsável dessa medida!
Quanto à França e ao resultado do referendo, continuo sem saber se foi um bom resultado ou não!!!Mas acho que até Outubro vai haver muita discussão esclarecedora aqui no blog:) e hei-de decidir-me. Gostava que este resultado, que divide a França praticamente a meio, não influenciásse os outros países que ainda vão votar, mas acho que isso poderá acontecer... Acho a interpretação total (de todos os países) dos resultados parece-me a melhor e por isso é melhor esperar, porque imaginando que só a França diga que NÃO (pode ficar isolada), ou Portugal, ou a Holanda ou até os três, estes países teriam que tomar uma decisão, que pode ser por exemplo uma proposta de alteração de artigos...e tudo muda de figura...Pode acontecer também que o voto no NÃO não seja só para este passo concreto da União Política, mas para toda a Política dos seus países e da União Europeia, o que me parece mais grave...
Ministro Sampaio

Sampaio faz apelo ao "espírito patriótico" das associações sindicais e patronais para que convirjam na busca de uma solução para a grave situação das contas públicas
Alguém me sabe explicar porque o Presidente da Republica, em materia governamental, intervem mais vezes na Comunicação Social que o próprio Governo?
Relativamente ao défice já assisti a pelo menos três apelos do Presidente da Republica, dos membros do governo, só o próprio Primeiro Ministro na semana passada na Assembleia da Republica e um pequena intervenção do Ministro das finanças.
Será que:
- Mais vale estarem calados que dizer asneira?
- Só falam depois das autárquicas?
- A estratégia autárquica é igual às legislativas, isto é, estar calado para não perder votos?
- Não é preciso esclarecer os Portugueses?
- A Culpa é do Sampaio, que anda armado em Ministro?
Alguém sabe?
segunda-feira, maio 30, 2005
...!...
Não sou tão obcecado na mudança que apregoas todos os dias...qual visionário infalível!
As convicções que disse que tenho limitam-me a isso mesmo...Sempre tive a certeza de estar bem com cada uma delas, logo que me apercebi que os meus "paizinhos" não são as pessoas mais perfeitas deste mundo, mas sem dúvida que me apresentaram o caminho certo!!!!
Talvez a convicção religiosa seja a mais nublada de todas, talvez não seja o cristão do conceito teórico, mas eu sinto-me cristão na boa-fé do termo, sabendo filtrar aquilo que me interessa da "palavra"...Claramente que não ouço a "Voz de Fátima"!!!! É muito difícil falar deste assunto...Já agora gostava que os Cósmicos se definissem neste campo, pois é algo revelador!
Eu teria muitas dificuldades em votar Sócrates no cenário que concebeste...O meu partido será sempre o mesmo, e as suas propostas serão sempre incentivadas por mim, enquanto me parecerem úteis! Eu sou do PSD, e não é em épocas em que o país está bem, connosco na oposição (como no teu cenário) que vou deixar de acreditar na famosa História e no papel determinante no Desenvolvimento de Portugal que o meu partido teve! Votaria Sócrates se este só tivesse adversários à Esquerda! Se essas metas fossem atingidas os meus sinceros e agradecidos parabéns seriam dados neste blog, mas comigo o Sócrates não descansava (principalmente em campanha eleitoral), e além disso poderia perfeitamente ter havido uma pequena questão que para mim fosse grande, e seria prontamente criticada.
Prefiro portanto premiar a presença do meu partido em parlamento, para imputar na medida do possível, as grandes decisões do país a uma discussão proveitosa e a resultados semelhantes!
Miguel, eu acho que uma pessoa que diz vigorosamente o que diz, inconformista com o "real", capaz de atitudes categóricas como a desfiliação de um partido, não pode ter a vista curta de se ausentar do teatro político?:) ou vais para outro partido? vais fundar o teu? vais apregoar para este blog?:) Nunca cheguei a perceber muito bem qual o ponto em que não te sentiste bem com o PSD? Quando é que pensaste na desfiliação? Se a tua "mudança" é a ruptura ressabiada não vais longe!
Eu, simplesmente olho para as minhas opções em termos de partidos políticos, e não tenho necessidade (nem perfil) para criar um, sentindo-me parte do meu partido, e obtendo facilmente empatia com o seu movimento!
Não tenho tempo agora, senão...
Logo vou-me justificar...agora não posso, mas adianto-te que as 3 convicções são mais parecidas do que pensas, pelo menos no meu caso! O FCP perde e eu continuo portista...e aproveitando para responder ao teu repto que justificartei mais logo e para continuar esta analogia bola-política acho que não votaria Sócrates com candidatos à Direita no cenário que desenvolveste...
Uns são do contra, outros são rídiculos :) Abraço
O exemplo do ridículo... Johny
Imaginemos o seguinte:
O casamento entre homessexuais passa a ser legal assim como a adopção de crianças por parte destes. As crianças irão crescer num meio onde as relações homossexuais são elogiadas e levadas à praticada sem qualquer tipo de pudor.
Qualquer ser humano que nasça nesse meio e que pense como o Johny diria: "Eu sou homossexual, porque estes foram os valores que a minha família me incutiu, mas sou não praticante".
Comparar o futebol, com política e religião não tem qualquer sentido. A política e a religião são questões que exigem o máximo de racionalidade. Futebol é paixão.
Pior, dizer que és uma coisa que não és, apenas porque os teus paizinhos te disseram que era assim que estava bem, é parar no tempo. É seres a máquina que trava o aparecimento de novas correntes e ventos de mudança.
Não vais à missa, não acreditas na Genesis, não acreditas que Jesus Cristo ressuscitou, sabes dos actos da igreja na época da inquisição, não defendes as ideias da igreja relativamente ao aborto e ao uso do preservativo e dizes que és cristão, mas não católico. Serás um cristão protestante ou ortodoxo? Não me digas que és da IURD...
Eu, ao contrário de ti, digo que não sou cristão. Apesar de defender alguns dos valores judaico-cristãos. Mas os dogmas que sustentaram a igreja durante 1000 anos, e que deram nome à Idade Média, estão mais do que desmentidos hoje.
Depois acusam-me de ser do contra... Com certeza que sou do contra. Contra esta hipocrisia mais do que tudo.
VIVA O PARTIDO DA MUDANÇA.
NAO vs SIM
E Agora?
Objecção de Consciência
Em resposta à tua pergunta que me foi dirigida directamente no artigo aqui do Blog gostaria de frisar que independentemente de ser militante do PSD e da JSD, nada nem ninguém me obriga a exercer disciplina de voto, caso contrario pediria de imediato a minha a demissão da minha militância.
Gostaria ainda de explicar que, antes de ser de determinado partido ou juventude partidária, sou Vimaranense e Português, com isto quero apenas dizer que, se qualquer partido da oposição ao meu partido estiver em melhores condições para exercer funções no meu País, no meu Concelho ou ate na minha Freguesia, não teria vergonha nenhuma de não votar no meu partido.
Outro exemplo, se o PSD apoiar uma eventual candidatura do Alberto João Jardim à presidência da Republica, não terei problema absolutamente nenhum em votar no candidato do centro que estivesse em melhores condições de derrotar o Jardim.
Respondendo directamente à pergunta, se Engº Sócrates conseguir resolver os problemas do país e demonstrar que esta em condições de continuar a fazer o melhor para PORTUGAL, se o PSD não tiver uma alternativa credível, em 2009 não terei objecção de consciência em votar PS.
Por Guimarães, Por Portugal
domingo, maio 29, 2005
"Voz de Fátima"
"...os contentores de resíduos hospitalares vão transbordar de crianças mortas.....nos países mais pobres, mesmo da europa, corpos esquartejados de bébes vão aparecer em lixeiras de toda a espécie, ao olhar horrorizado ou faminto de pessoas e animais"
e ainda
"....é previsivel que, dentro de pouco tempo, tenhamos visitas de estado ao mais alto nivel em que uma rainha....dará o braço a outra senhora com estatuto de esposa, ambas de malinha na mão"
Padre Luciano Guerra
Reitor do Santuário de Fátima - in Editorial do Jornal "voz de Fátima"
PS:
Quem não acreditar e/ou quiser consultar visitar:
http://www.santuario-fatima.pt/files/_VF05_4294ae32debcc.pdf
POC - Partido do Observador Cósmico
Ser filiado por ser, ainda para mais quando se sente incomodado, não me parece correcto e não tem grande utilidade para as partes neste caso específico...O Miguel, não se revê no partido, ele é que sabe!
Eu sei que pertenço ao PSD e à JSD...é verdade que não faço falta nenhuma, nunca fui grande activista, umas coisas ali, outras acolá, acho a política partidária (especialmente a local) , muito interesseira, incapaz de se centrar nas questões essenciais, geradora de viciados em poder e especialistas em polémicas, que se desejam catapultar para cima no aparelho! Acredito que isto é uma generalização grosseira, porque sei que existe gente de valor que sobressairá (ou não) mais tarde ou mais cedo por mérito próprio, embora, ainda assim tenha que "jantar" algumas vezes com algumas pessoas...
Mas olhem, sou do FCP, não sou sócio, esta época vi um jogo, e não foi no Dragão, e não concordo com montes de situações internas do clube... não deixo de torcer com aquele orgulho!
Sigo os ideais cristãos ( acho que não sou católico), não vou à missa à anos largos, discordo completamente de questões religiosas vigentes, mas não deixo de me sentir bem com grande parte do que é feito pela Igreja em Portugal; sou consciente das contradições em que incorro, mas não é por isso que me vou tornar no Anti-Cristo!
e sou do actualmente do PSD, em primeiro lugar por empurrão familiar (assim como nas 2 convicções anteriores), participei em mais campanhas quando as bandeiras eram maiores que eu, e depois, fui constatando cada vez mais observador e compreendedor, que realmente sinto-me bem assim!... e não me julgando superior pertenço a uma facção política que julgo, tem grande capacidade de regeneração e adaptação na abordagem dos problemas portugueses, e congrega em seu redor, a gente mais capaz deste país! A História expõe as raízes de partidos como o PS e o PSD, que são indiscutivelmente diferentes ao principio, e agora apresentam-se discutivelmente iguais...Esse background permite atravès da História dividir convicções sendo fundamental para apregoar as diferenças e fomentar debates mesmo que eles sejam mais esbatidos e ridículos possível! Eu acho isso salutar! Eu sinto-me do PSD porque vibrei familiarmente com a sua História...sempre votei PSD, e em branco na Regionalização e no Aborto, não concordo com muitas coisas que leio de altos dirigentes ou ex dirigentes do partido, e o facto de ser filiado nada teve de influência nestas tomadas de posição, mas não é por isto que me vou querer desfiliar e tornar-me no Louçã da área!!!!
Nos comments do post anterior dididem-se e caracterizam-se os dois maiores partidos com base na História de que falo! repare-se que o de Esquerda tende para o de Direita nesta actualidade... É muito fácil ser escudado pela História do pensamento de Esquerda ( enfâse no"Social", no grupo, bem estar comum e geral, igualdade,justiça, e logo, ênfase no Estado) quando se procura expôr os pontos fracos da Direita (ênfase na propriedade, no mérito, na desigualdade de valências como motor da sociedade, eficiência económica à frente da social), mas quando esta executa o poder, de forma consciente, realista e global, tem que se render à evidência que as ênfases históricas da sua ideologia já de pouco valem, pelo menos em época de obrigações à Europa como agora...Eu acho que quem é de Direita e de Esquerda, sente-o e sabe relativizar as coisas! Eu acho que o PS e o PSD são os Europeus, por isso são grandes, por isso são parecidos...
Os partidos não são diferentes quando actuam quase que por imposição, se forem razoáveis!!!! Se as questões governamentais portuguesas actuais fossem: em que áreas apostar, investir, inovar e premiar este superávit no orçamento de Estado, acho que veríamos as diferenças!!!!
sábado, maio 28, 2005
A JS "fundou" o Bloco de Esquerda. A regulamentação da prostituição e do casamento entre homossexuais, a legalização das drogas leves, a descriminalização da IVG, entre outras, tudo isto eram bandeiras da JS, que foram faladas pela primeira vez pela JS. Logo, em comparação com a JSD, já vez que a nossa posição política é diferente.
Nada, dentro de um partido, te impede de votares noutro. Não podes ser castigado por isso. Eu sempre votei PS, mas já pensei que talvez fosse votar BE ou PC. Não votaria PSD porque estou mais à esquerda do que o próprio PS, logo, tento procurar um programa que me agrada dentro da ideologia em que acredito. Todos somos livres de votar em quem quisermos, de outra maneira os partidos seriam fascistas.