quarta-feira, novembro 16, 2005

A génese do Papado...e outras histórias

Já se sabe que o imprério romano usou o crescendo do cristianismo para unificar e pacificar as suas vastas possessões. O estado e a religião misturam-se e fundam uma corrente de actuação do poder político na Europa, que vigorará até aos nossos dias.

Carlos Magno, sucessor directo deste império, decide mudar a sua capital para Constantinopla.
Por esta altura, o bispo de Roma, decide autoproclamar-se "representante" legal de Cristo na Terra e mentor espiritual de todo o império, dizendo que Roma foi onde Pedro (parece ter sido o preferido de Jesus Cristo) pregou durante bastante tempo e provavelmente morreu. Após a pergunta de Cristo aos apóstolos "Quem sou eu?", Pedro responde "És o Messias"!

É assim o primeiro a chama-lo de Messias, pelo que a resposta de cristo foi: "Desta pedra construirei a minha igreja" :)

"Pedra", em latim, é petrus, e "Pedro", também. É anedótico mas é verdade...é um simples jogo de palavras que teve um sucesso colossal.

Esse bispo de Roma foi o primeiro papa, Silvestre I, que, ciente da balela em que baseia o papado, procura, com toda a sua horda de escolásticos, apetrechar o seu argumento, forjando um documento chamado de Doação, que relata o último suspiro de Carlos Magno, em que este no leito da morte, confessa ao bispo Silvestre, que deseja que ele seja o líder religioso do Cristianismo, e que para isso poderá contar com verbas públicas e com a cidade de Roma.

É tudo muito bem possível!

E agora algo curioso, que soube ontem:

Quando todos os documentos menos a bíblia confirmam que Herodes morreu em 4 aC, como é que ele perseguiu Jesus Cristo em criança?

Já estou a ficar como tu Damas, buscando o mais recambulesco:)

4 comentários:

johny disse...

Errata: Não foi Carlos Magno, foi Constantino que se mudou para Bizâncio (Constantinopla), e a doação que falo foi a "Doação de Constantino".

Agora sim!

Rui Damas disse...

Muito bom, johny!
Só te esqueceste de dizer que a bíblia foi um livro mandado escrever pelo imperador constantino, sedento de unir o império à volta da religião da "moda", não passando de um mero embuste político.

Abraço!

XanaeR disse...

outro alvo facil: a Igreja Catolica...

mas pronto. deixo uma sugestao e uma nota:

SUGESTÃO: Baudolino, de Umberto Eco: aborda uma serie de questoes relativas ao papado e a guerras sucessorias eclesiasticas, para alem do mundo fantastico baseado no misticismo da idade media.

NOTA: talvez os documentos de que falas possam ter em conta um calendario diferente do que utilizamos hoje. lembra-te que houve varios calendarios diferentes!

abraço

Rui Damas disse...

O calendário é o mesmo, visto ser o calendário gregoriano... De facto a perseguição a herodes foi a fórmula encontrada para Roma deixar de ter no poder executivo das regiões que dominava, nativos dessas mesmas regiões e passar a ter "cives", cidadãos romanos, nos destinos das longínquas províncias...
Até o0 próprio catilina considerava um ba´rbaro e um estrangeiro do império inferiores ao mais vulgar dos Plebeus...