quarta-feira, novembro 09, 2005

Crónica Semanal


A Perfídia Americana

Caros leitores,

Mais uma vez a Assmebeleia Geral das Nações Unidas votou o fim do embargo a Cuba e,uma vez mais, o resultado da votação foi ludibriado pelo veto americano.

Dos 191 países que fazem parte da ONU, 182 votaram a favor do fim do embargo, 5 abstiveram-se e apenas 4 votaram contra, a saber Ilhas Palau, Ilhas Marshall, Israel e Estados Unidos.

É urgente uma revisão de todo o diagrama funcional da ONU, sob pena da contínua ridicularização desta instituição. O Veto é a arma dos cobardes e com o fim da guerra fria tornou-se uma medida supérflua, desprovida de sentido e razão.

É inacreditável como um só país pode subjugar a vontade de outros 182 países, por uma mera birra ideológica que deixou de fazer sentido. Dizem que foi mais uma vitória moral dos países que ganharam a votação, mas perderam a causa... Dizem muita coisa, mas nada pode apagar o sofrimento e a dignidade com que o povo cubano enfrenta o resto do mundo.

Pode-se simpatizar ou não com o regime de Fidel Castro, mas é impensável todo o destino de um povo, estar nas mãos autoritárias e discricionárias de um país estrangeiro. Julgo que o peso do voto hispânico nos E.UA. é decisivo para a manutenção deste embargo, injusto e desumano. É curioso constatar, como em alguns casos as contigências da Democracia se sobrepôem aos Direitos do Homem e ao ideal de Justiça...

Os Estados Unidos, Ilhas Palau, ilhas Marshall e Israel constituem o verdadeiro eixo do mal... São os intérpretes do terrorismo de estado que se abateu no planeta, são responsáveis pelo genocídio no iraque, pela opressão na palestina, pela selvagem ocupação do afeganistão e pela insustentável sobrevivência do povo cubano.

O politólogo Antonio Negri, pensador de referência e membro das extintas Brigadas Vermelhas italianas, considera que o advento do novo Império, o império americano, está ser responsável por uma poliarquia sem sentido que nos conduzirá, a breve trecho, a uma nova idade média.

Enquanto 182 países ficarem mudos e quedos perante a opressão e a tirania de um só, a fome e a guerra proliferarão...




3 comentários:

Macedo disse...

Até parece um discurso anti-america, mas não! É a pura verdade! As Nações Unidas vivem desde há muito na subjugação de um Império. O Império do VETO. Já não faz sentido o uso do direito ao veto. E melhor exemplo não há que este, onde se sobrepõem a vontade de muitos pela vontade de um só!

É necessário repensar a forma de actuação e organização das Nações Unidas para que, tal como diz o Rui Damas e bem, não se cair numa "ridicularização dessa instituição"

Nuno Silva Leal disse...

É verdade que a ONU tem de se adaptar aos nossos tempos em todos os sentidos: diagrama de funcionamento, países integrantes e seus deveres e direitos, etc. Concordo em absoluto com o fim do direito de veto tal como está, desde o fim da guerra fria que não faz sentido o conselho permanente ser constituido da mesma forma, etc...

Agora, dizeres que o destino de todo um povo está nas mãos de um estrangeiro é que não!

Calma lá e pára o baile!

Os EUA podem ser os piores do mundo e arredores, o que tu quiseres! Mas o destino daquele povo, por muito que me digam o que quiserem, está nas mãos do DITADOR cubano, Fidel Castro!

Ele é que tem as rédeas do poder de cuba nas mãos há décadas e não abre mão delas, continua a oprimir a comunicação social, os artistas, os doentes (sim, em Cuba há "gulags" para quem tem sida e outras doenças assim) e dispõe da ilha a seu bel-prazer, deixando a população para segundo plano.

Esse é que é o problema de Cuba... Não são os EUA, nem a UE, nem mais nada. O problema é em Cuba haver um DITADOR que põe e dispõe dos cubanos, que tem o destino deles nas suas mãos sujas de sangue e tirania!

johny disse...

Eu acho também que muitos países votam por clara simpatia/diplomacia pelo país e suas particularidades e por serem anti-americanos por norma!

No entanto tb sou contra o veto... mas a favor da ponderação da importância dos votos... nesta assembleia penso que a igualdade´de votos é injusta!