quarta-feira, outubro 26, 2005

Bomba do dia (2)

Corre o boato que o advogado de Fátima Felgueiras irá usar no exercício da sua defesa, os argumentos que estão na base da ideologia social do sociólogo-economista Vilfredo Pareto (1848-1923), que no início do século abordou a teoria da supermacia das elites, a génese da extrema-direita:

"As sociedades humanas nunca são homogéneas, compreendem uma camada inferior e um escol, que inclui os undivíduos de capacidades superiores, quaisquer que sejam os fins que as exerçam. Estámos aqui no plano científico, onde a moral não é chamada"

...

"Quem soube ganhar um milhão, seja bem ou mal, tem um 10. Quem ganhar um milhar, terá no máximo um 6, e quem ultrapassar à justa a morte pela fome terá um 1.
Ao hábil escroc, que engana as pessoas e sabe escapar às penas do Código Penal, atribuíremos 8,9 ou 10, conforme o número de lorpas que tiver sabido levar e o dinheiro que tiver sabido subtrair"

Em o "Tratado da Sociologia Geral"-1916

Fátima, tens o meu 10!

2 comentários:

Rui Damas disse...

Desconhecia esse sociólogo. Julgo que a partir de agora e por tua causa muita gente vai andar com o Paretto ao colo.

johny disse...

Pareto passa pelo menos por qualquer estudante de ciências económicas! O óptimo de Pareto na afectação de recursos continua a ser ensinado como algo de grande validade científica no âmbito do bem-estar da sociedade.

É taliano e foi um grande conselheiro de Mussolini, congratulou-se por postular o que viria a acontecer,nomeadamente na Itália fascista e Alemanha do regime nacional socialista com anos de antecedência!

Influenciado por A.Comte, o positivista, continuava, como ele a acreditar que a economia política é um ramo da sociologia, mas desprendeu-se mais da faculdade probatória da experiência, dando grande importância às acções não racionais na sociedade humana, não passíveis de análise lógica.

Substituto do também famoso marginalista Walras na cadeira de economia política em Lausanne, penso que na Suiça, e logo anti-marxista, como os seu precedente: para ele, o avanço no poder das mílicias sindicais só iria burocratizar a sociedade, diminuindo progressivamente o seu efectivo até voltar a oprimir as massas.

Para ele a luta de classes deveria ser constante mas sem trocas de posições em demasia, desculpando assim a sua "supermacia das elites", que podria recorrer à força para os seus intentos!

Como tantos outros, na minha opinião foi genial, mas também ridículo...
Mais um marco na história do pensmento económico