terça-feira, setembro 13, 2005

Sr. Primeiro Ministro, ouça o que eles dizem!



" Uma subida geral na taxa dos salários resultaria numa queda da taxa geral do lucro, mas, em termos gerais, não afectaria os preços das mercadorias"

" Aumentando a taxa de salários, cresce o consumo e, forçosamente, diminui o desemprego"

"Uma subida geral dos salários produziria uma subida na procura e, consequentemente, os capitalistas seriam compensados, pelos preços de mercado resultantes do aumento de vendas das suas mercadorias."

Karl Marx e F. Engels in "Salário, Preço e Lucro" (Edições Avante, 2004)

6 comentários:

johny disse...

Infelizmente existe a Inflação...e a parte em que muitos salários são pagos pelo Estado...piorando o défice!
Temos que cumprir as regras da convergência!
Tanto uma situação como outra, estão no Pacto de Estabilidade, que temos que "cumprir"...para isso não entrávamos na CEE em 1986!

Miguel V. Carvalho disse...

O incentivo ao crescimento pelo lado da procura teve os efeitos que estão precisamente agora à vista de todos. Estamos a pagar os erros da política de Guterres, com aumentos salariais consecutivos acima do aumento da produtividade e da inflação.

Até os socialistas já descobriram que esta fórmula não resulta. Não afectaria os preços das mercadorias?!?!? Como muito bem disse o Johny, a inflação provocaria ainda menor poder de compra, a não ser que os preços fossem controlados, o que a acontecer provocaria com certeza ruptura de stocks em muitos mercados.

Quem advoga esta como sendo a solução não está a ver bem no mundo em que estamos. Quando o principal problema da nossa economia é a falta de competitividade das nossas empresas (que por sua vez se deve à reduzida produtividade, à falta de formação dos trabalhadores, à falta de capacidade de inovação e empreendorismo na gestão, etc...) advogar esta política económica seria o machadada final.

Criar instrumentos de apoio pelo lado da oferta (diminuição de IRC, apoios à inovação e desenvolvimento de novos produtos, incentivos à exportação como por exemplo fazem as regiões de Espanha, apoios à contratação de licenciados, etc...) será a solução para a competitividade da nossa economia.

O nosso problema é estar à espera que o Estado resolva todos os nossos problemas e temos o hábito de culpabilizar o Estado por tudo o que de mau nos acontece.

Lou Andreas-Salomé disse...
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Lou Andreas-Salomé disse...

Sou a favor da meta final subjacente à teoria de Marx, que preconiza o aumento de poder de compra, crescimento do consumo e consequente aumento e produção de riqueza. Entendo, no entanto, que o meio a atingir tal fim, não passa pela má filosofia de aumento de salários, mas pela redução dos impostos, IVA e IRC (uma vez que o seu aumento tem provado não contribuir para resolver o problema do défice). Neste aspecto, concordo com o Miguel, ao advogar alterações pelo lado da oferta.
Uma vez que ainda não somos capazes de satisfazer as necessidades básicas de toda a população portuguesa, sou também a favor de uma (re)avaliação das prioridades do Estado, uma que atribua maior ênfase à higiene e alimentação, em detrimento da cultura ou lazer, por exemplo… Se não, veja-se: considero inadmissível que, em Portugal, um pacote de pensos higiénicos esteja abrangido por um IVA muito superior ao de uma revista ou jornal ou que o custo de uma refeição servida num restaurante chegue a equivaler o custo de uma refeição caseira! Não será então urgente redefinirmos os nossos valores, à imagem dos países nórdicos desenvolvidos, através de uma clara distinção entre os bens primários e secundários!? Mas não, o Estado prefere colmatar esta falha, através de acções de solidariedade à lá Madre Teresa de Calcutá, agravando o défice. Depois admiram-se que se espere sempre dele e o culpabilizemos… cada vez mais!
PS: Se Marx estivesse vivo, chegaria à conclusão que, hoje em dia, os subsídios são, de facto, o ópio do povo!!!

Rui Damas disse...

Lou, desculpa.... mas recuso-me a comentar o que disseste!!!!!

Lou Andreas-Salomé disse...

Eu percebo-te, querido...;P