sexta-feira, julho 29, 2005

Há que reflectir...

Caro Miguel,
Caros/as participantes,

Ninguém falou em negar o direito à maternidade, pois é inegável que nos aspectos biológicos ligados à maternidade/paternidade, existem diferenças naturais entre homens e mulheres, mais por uma questão de sobrevivência do que emocional, já que o vínculo ou ligação emocional que se estabelece entre o/a filho/a e a mãe ou pai não é algo genético mas faz parte da nossa aprendizagem. Só assim se explica a existência de mães negligentes e assim se refuta a tua ideia de que o vínculo entre mãe e filho/a seja mais forte do que entre pai e filho/a. Claro que ambos os sexos são diferentes, mas isso não implica que sejam desiguais. Infelizmente ainda subsistem muitos estereótipos quando ao género feminino, especialmente a ideia de que a mulher está destinada a “dona de casa” e “mãe extremosa”, ideias eliminadas da Constituição Portuguesa há quase 30 anos…
Hoje em dia, o Direito Português reconhece igualdade, direitos humanos e liberdades fundamentais para todos/as os/as cidadãos/ãs. Contudo, a distância entre a situação de facto e a teoria é grande, pois ambos os géneros desempenham papéis bem desiguais na sociedade. De facto, no que respeita os papéis sociais, a assimetria quanto a oportunidades, direitos e deveres sempre foi e continua a ser flagrante (basta ver o histórico de violência e submissão imposto às mulheres durante os séculos e a situação actual patente nos dados que a seguir apresento), especialmente porque não são dadas à mulher oportunidades de conciliação entre a vida familiar e profissional. As leis por si não chegam se o seu cumprimento não for exigido.
Para além disso, se atendermos ao facto de que apenas em 1982 a violação dentro do casamento passou a ser crime e que apenas em 2000, os maus tratos perpetuados pelo cônjuge passaram a crime de natureza pública, quanto tempo não precisaremos até que as mentalidades mudem e se desmistifiquem as ideias pré-concebidas?
Não se trata de querer mais direitos, mas de justiça social. Sem igualdade entre os géneros, nunca teremos uma sociedade verdadeiramente justa, democrática, desenvolvida e respeitadora dos direitos humanos.

Factos…

As mulheres gastam 3 vezes mais horas por dia do que os homens nas tarefas domésticas; Apenas 5,2% das Câmaras Municipais são lideradas por mulheres;
Apenas 20,4% dos lugares no Parlamento são ocupados por mulheres (47 deputadas);
A taxa de desemprego feminina é de 8,6%* (53% do universo de desempregados/as);
A remuneração bruta é em média 9% inferior à dos homens;
O índice de feminização do emprego em tempo parcial é de 13%.
*dados relativos ao primeiro trimestre de 2005 (INE)

Paradoxalmente…

o As mulheres constituem mais de metade da população portuguesa
o A taxa de actividade feminina (47% *) é a maior da União Europeia ocupando o 6º lugar
o 55% do total de especialistas das profissões intelectuais e científicas são mulheres
o Mais de 50% dos licenciados são mulheres!


E vivemos nós num mundo civilizado…

PS: E que tal Observador/a Cósmico/a?

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