Ora meu caro Miguel (podes-me chamar Xavier se preferires isso ao "despertador", que foi um nick criado para um outro blogue),
Agora sou eu que discordo. E creio que discordamos em dois ou três pontos que tornam difícil a aproximação.
Primeiro o comum. Também me entristece o crescimento de votos nos partidos nacionalistas. Parece-me que tal acontece, precisamente por se deixar determinados temas para esses partidos. Este é um exemplo, por que será que quem apoia o "Não" à Constituição é sempre conotado com partidos extremistas? Será que os meus pontos de vista são nacionalistas ou comunistas? Acredito que não, mas como os moderados querem o "sim", transmitem apenas a ideia que a UE é um mar de rosas, algo que leva algumas pessoas, talvez as mais afectadas pelos problemas da União (que, como qualquer país ou federação, também os tem) a optar pelos únicos partidos que, de uma forma populista, lhes vai vedando a vista. É este medo de discutir alguns tabus (e sim, o "Não" à Constituição tornou-se numa espécie de tabu) que leva, por exemplo na Alemanha, ao forte crescimento dos partidos Neo-Nazis. Não se discute, tem-se medo, como noutras matérias, de ir além do partidário. Isto também é triste.
Concordo também com os canais existentes para a nossa informação. Contudo, o que ninguém informa é o que virá depois, que consequência terá isto no futuro? Como sempre é nestes casos, o futuro só interessa quando lá chegarmos. No entanto, uma Constituição que demorou meses a ser concluída e em que poucos ou nenhuns eram os países satisfeitos, não é um bom indício para o futuro.
A partir daqui, discordo. Tu dizes que em nada nos assemelhamos aos africanos ou aos sul-americanos (entre outros), não podias estar mais distante de mim. A ideologia que tu apontas como sendo a que une a Europa (liberdade, iniciativa privada e democracia), em que ponto nos afasta destes povos? Não há democratas em África e na América do Sul? Não há lutadores pela liberdade? Não podes discriminar os vários pontos do globo que mencionaste apenas por terem sido locais colonizados que nós (os europeus democratas e libertadores) deixámos ao «deus dará». Sinto-me mais próximo dum africano e dum sul-americano do que dum Alemão. A mentalidade é a mesma, a forma de ver o mundo também, afinal, estivemos (nós ibéricos) lá durante séculos... Que outra razão encontras para a Commonwealth? Ou por que te parece que o Brasil tem liderado a CPLP? Nós andamos por aí preocupados com a Europa quando o património cultural comum que temos com os países de língua portuguesa poderiam ser uma outra forma de chegar ao que defines como: "Num mundo globalizado e democrático, os maiores países, mais populosos e poderosos serão aqueles que conseguirão fazer prevalecer os seus valores." Quanto a ideologias, esses países também as têm. Não podemos confundir a ideologia com o seu historial de líderes antidemocráticos nomeados ou colocados no poder por esses países que defendes como exemplos de ideologia.
No que toca à Guerra do Iraque, não sei em que é que uma Federação ajudaria a uma tomada de posição diferente, afinal grande parte dos países europeus de peso eram a favor da guerra, exceptuando a França e a Alemanha, logo a diferença estaria, muito provavelmente, no ingresso de tropas alemãs e francesas no pelotão «libertador» do Iraque.
Não me considero um iluminado, muito menos um Velho do Restelo, acho que a Europa poderá seguir outros caminhos que não, caminhos esses que, por não serem federais, são mais democráticos e livres. Não se trata aqui o de ser governado por Franceses ou Alemães (que, de qualquer forma, não me agrada), trata-se apenas de uma ligação cultural que não sinto presente, como sentem, por exemplo os Norte-Americanos. Culturalmente são iguais (ainda que com as suas variantes). Sempre detestei uniformizações e uma Europa federal tende a uniformizar, por muito que não o queiras, e eu detesto uniformes.
Macau que se vai perdendo
Há 4 anos
2 comentários:
Desculpa Xavier, mas não concordo em nada quando dizes que temos mais em comum com os africanos e os latino-americanos.
Eu pergunto. Não serão os valores que ressurgiram do iluminismo francês aqueles que hoje imperam no mundo dito civilizado?
Em África, actualmente, as guerras existentes devem-se a divisões tribais (culpa dos países colonizadores que definiram as fronteiras).
A aliança mais antiga que Portugal mantém é com a Inglaterra.
Para muitos especialistas, se nos tivessemos virado para a Europa mais cedo, em vez de sermos os últimos a deixar África, provavelmente hoje não estariamos na cauda do pelotão.
Isto não impede que eu defenda um maior aprofundamento das relações como os países da CPLP.
Vota NIM
Enviar um comentário